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Oráculos


No livro "Os Oráculos", de Patrick Ravignat, lemos que:

"A questão divinatória é um eterno desafio mas o que importa não é tanto a massa de informações e de saber que ela propõe. Ela é a porta entreaberta, o salto em um além concreto, aqui e agora, a adesão a outra coisa que as normas do pensamento lógico não podem abarcar.

Simplesmente, todos os mundos coabitam, e todos os veículos não cessam de se cruzar: cabe a cada um, finalmente, inventar sua máquina para explorar o mistério.

- Vocês acreditam em todas essas coisas? - Oh, não, absolutamente, mas....

Esse não, mas resume a atitude paradoxal de nossos contemporâneos diante dos fenômenos ditos paranormais e tidos como inexplicáveis. Entre as duas posições extremadas, de recusa sem apelo e de credulidade total, estende-se uma área de reações variáveis, contraditórias: acredita-se sem acreditar, não se quer acreditar, mas mesmo assim acredita-se. "A vidência? A astrologia? As linhas da mão? Superstição! Charlatanismo! E acrescenta-se: "Mas há algumas coisas..."Ou o inverso: "Estive com um mago formidável!" E conclui-se: "Bom! Tudo isso são histórias..."

O texto acima mostra exatamente a posição da maioria das pessoas ante o desconhecido. Acreditam desacreditando, ou desacreditam acreditando, mas ficam em cima do muro. Às vezes arriscam uma espiadela rápida, numa consulta a um vidente ou num jogo de búzios, nas horas em que a vida está judiando e não conseguem outra forma de compreender o que lhes está acontecendo. De repente, por algum motivo, entram num estado alterado de consciência, e têm um vislumbre do que existe no lado oculto de sua própria mente. E se assustam, ou se maravilham, ou simplesmente procuram ignorar, com medo de bater de frente com uma nova realidade. Aí vem o medo do novo, o medo das mudanças internas que fatalmente irão se refletir na vida exterior, e preferem ignorar o insight e continuar como antes, procurando os oráculos nos momentos de grande aflição, em vez de procurarem as respostas dentro deles mesmos.

Quem nunca teve uma forte intuição? E quem, não seguindo seu palpite interno, se arrependeu depois? E, invariavelmente, vem o lamento: "... Ah, por que eu não segui minha intuição? Porque não acreditei no meu sonho?... "

Mas por que não segue a intuição, por que não acredita no sonho e prefere acreditar na palavra do vidente? Porque, como sempre, as pessoas teimam em só aceitar, em só acreditar naquilo que vem de fora, que vem pela boca dos outros, que vem pela televisão, pelo rádio e não reconhecem que dentro deles mesmo está uma verdade muito maior, que se acessada, poderá lhe dar todas as respostas..

Por que ele mesmo não olha para uma bola de cristal ou para a superfície lisa da água , faz suas perguntas, relaxa e espera as respostas? Porque, quando as respostas vierem, ele terá dúvidas... Será mesmo? Será imaginação? Mas, se for um vidente que lhe der as mesmas respostas...Ah! Aí é diferente! Aí fica mais fácil de acreditar!....

E assim caminha por cima do seu muro, equilibrando-se entre o acreditar e o desacreditar, quando seria muito menos angustiante aceitar de uma vez que seu interior é rico, que aguarda apenas a visita de sua própria lucidez para lhe abrir, pouco a pouco, a porta que o levará ao encontro de realidades muito mais abrangentes do que aquelas que seu raciocínio pode alcançar. Para isto, basta que tenha a coragem de dar o primeiro passo, de colocar uma bola de cristal sobre um veludo negro e fixar nela sua atenção, de jogar seus próprios búzios ou de simplesmente fechar os olhos e aguardar as imagens brotarem no fundo negro da tela de sua mente, sem se preocupar em saber se a resposta será realidade ou fantasia, pois com certeza verá a rica linguagem que vem do seu interior, ou através dele, para lhe contar, mesmo que de forma simbólica, a melhor maneira de conduzir seu caminho para alcançar uma integração com o Todo.

Existem, realmente, os que têm dificuldade em dar este primeiro passo. Mas chega aquele momento, o mais doloroso momento da vida, em que olham em volta e não encontram mais nada. E agora? Olhar para onde? Apoiar em que? Nunca, até então, haviam lhes ensinado a olhar para dentro. E como é difícil, nas primeiras vezes, a contemplação do próprio interior! E então eles batem à porta de alguém que lhes possa apontar um caminho, o caminho que leva ao interior deles mesmos, mas um caminho que depois terão que trilhar sozinhos.

Quem nunca precisou que alguém, algum dia, lhe falasse sobre a situação complicada em que vivia e lhe apontasse um caminho para a luz? Quem nunca se sentiu perdido num túnel escuro e sombrio e renasceu ao segurar a mão que o guiou à claridade?

Não acredito que exista alguém que não precise de uma palavra, de um esclarecimento sobre si próprio, de uma ajuda para se conhecer melhor e para entender aquilo que o aflige, antes de iniciar, realmente, a trilhar a estrada que o vai conduzindo, cada vez mais, para dentro de si mesmo.

A função de um verdadeiro Oráculo não é, como muitos pensam, servir de diretriz em todos os atos da vida de uma pessoa, mas sim apontar-lhe o meio de acalmar sua alma para poder seguir em paz, no caminho que o levará a seu interior à comunhão com todo o Universo.

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Texto de Márcia Villas-Bôas

E-mail:colmagos@gmail.com


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